Trilha na Serra da Moeda: 16 km de superação.

Serra da Moeda

A Trilha na Serra da Moeda começou cedo, quando nos reunimos com um objetivo definido: encarar a trilha Fim do Mundo. Ao todo, seriam 16,390 km de percurso nível hard, com 11 elevações apenas na ida. Não era passeio leve, era desafio assumido. A trilha Fim do Mundo exigiu preparo desde o início, com subidas longas, terreno irregular. Escolhemos o caminho mais exigente porque sabemos que é justamente nele que evoluímos, passo após passo.

Saímos determinados. Ao todo, éramos cinco desbravadores, acompanhados por dois trilheiros experientes: Reinaldo, da Trilhas e Brumas e conhecedor da Serra da Moeda, e Antônio, de Belo Horizonte, da Trilha e Prosa, com ampla experiência em montanhismo e acampamentos.

Ritmo firme, mochila ajustada e foco total. Logo nas primeiras elevações, o corpo começou a cobrar preparo. Mas é assim que sempre foi na montanha: quem respeita o terreno, vence. Quem subestima, aprende da pior forma.

Elevações que testam preparo e cabeça.

A ida na serra da Moeda concentrou 11 elevações. Algumas curtas e íngremes. Outras longas, desgastantes, que exigem constância. Em trilha técnica, não adianta sair correndo. Mantivemos cadência, hidratação controlada e pausas estratégicas.

Além disso, o solo alternou entre pedra solta, terra batida e trechos com vegetação mais fechada. Cada elevação exigiu leitura de terreno. E aqui vai o básico que nunca sai de moda: bota adequada, bastão quando necessário e atenção redobrada nos trechos de descida. Subir cansa. Descer machuca.

Ao longo do percurso, usamos drone para registrar imagens aéreas. Filmamos as linhas naturais da serra, as curvas da trilha e a imponência da paisagem. A tecnologia ajuda, mas a regra continua a mesma: voar com responsabilidade, respeitar o meio ambiente e manter distância de estruturas sensíveis.

A mineradora da Gerdau no horizonte.

Durante a Trilha na Serra da Moeda, avistamos a área de mineração da Gerdau.

A presença da atividade mineral na região chama atenção e abre espaço para reflexão.

Benefícios da mineração.

Primeiro, é preciso reconhecer o óbvio: a mineração movimenta a economia. Gera empregos diretos e indiretos. Sustenta famílias. Contribui com impostos que, em tese, retornam em infraestrutura para municípios da região. Além disso, o minério extraído alimenta cadeias produtivas essenciais, como construção civil e indústria metalúrgica.

Minas Gerais carrega essa tradição histórica. A atividade mineral faz parte da formação econômica do estado. Ignorar isso seria desonesto.

Malefícios e impactos ambientais.

Por outro lado, os impactos ambientais são reais. A supressão de vegetação nativa, a alteração da paisagem, a geração de resíduos e o risco associado a barragens exigem fiscalização rigorosa. A serra é patrimônio natural. Não é recurso infinito.

Além disso, a atividade pode afetar cursos d’água, fauna e flora típicas da região. O equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental não é opcional. É obrigação.

Medidas que precisam ser feitas:

Empresas e poder público devem investir em:

  • Monitoramento ambiental constante
  • Recuperação de áreas degradadas
  • Transparência na gestão de resíduos
  • Planos de contingência eficazes
  • Diálogo contínuo com comunidades locais

Torres de transmissão: atenção redobrada.

Outro ponto marcante da Trilha na Serra da Moeda foram as torres de transmissão espalhadas em pontos altos. Estruturas metálicas imponentes, instaladas estrategicamente para cobertura de sinal.

Essas áreas podem conter equipamentos energizados e sinalização específica. Além disso, são locais sensíveis. Segurança vem antes de qualquer foto.

Aqui o cuidado é simples e direto:

  • Não tocar em cabos ou estruturas
  • Não subir em bases
  • Manter distância das áreas cercadas
  • Evitar aproximação com drone

Essas áreas podem conter equipamentos energizados e sinalização específica. Além disso, são locais sensíveis. Segurança vem antes de qualquer foto.

As sempre-vivas roxas e a flora da serra.

Ao longo da trilha, encontramos as sempre-vivas roxas, típicas dos campos rupestres da Serra da Moeda, que já chamam atenção pela resistência e pela cor marcante.

Além delas, avistamos espécies alongadas em tons alaranjados, com leve penugem na base, que se destacavam entre as pedras. A região reúne várias plantas com esse formato típico de campo rupestre, o que dificulta a identificação exata sem análise técnica. Ainda assim, o contraste do laranja com as rochas evidenciou a riqueza da flora da Serra da Moeda.

Segundo Reinaldo, trilheiro experiente e guia, essa espécie alaranjada pode permanecer florida por até seis meses, conforme a intensidade do sol, o regime de chuvas e as condições do solo. Ou seja, não é só beleza, é adaptação pura ao campo rupestre. Assim, entre os tons vibrantes das sempre-vivas roxas e o destaque marcante dessa flor laranja, a Serra da Moeda reafirma a força, a resistência e a identidade única da sua flora.

Também avistamos cactos de formato arredondado, compactos e resistentes, espalhados entre as pedras. Essas espécies, típicas de ambientes secos e ensolarados, armazenam água no próprio corpo e suportam bem o solo raso da Serra da Moeda.

Jardim de Pedras: ponto icônico da Serra da Moeda.

Depois de vencer as elevações, chegamos ao Jardim de Pedras. Local icônico, marcado por grandes paredões rochosos e formações naturais que parecem esculpidas pelo tempo.

O cenário impressiona pela imponência. As paredes de pedra revelam milhões de anos de história geológica. A Serra da Moeda é um livro aberto sobre a formação do relevo mineiro.

Pausa estratégica no Jardim de Pedras.

Ali, paramos. Sentamos. Recompusemos as energias. Alimentação leve, hidratação reforçada e alguns minutos de silêncio. Quem faz trilha sabe: descanso faz parte da estratégia.

Nesse momento, Antônio, compartilhou orientações práticas que ampliaram nosso olhar sobre segurança e preparo em montanha. Experiente em travessias e acampamentos, ele preparou um café ali mesmo e apresentou, item por item, os equipamentos que costuma levar nas expedições. Foi aula aplicada, daquelas que fazem diferença na próxima trilha.

Aliás, abrindo um parêntese: estou finalizando um e-book sobre equipamentos de trilha, que em breve lançarei no canal Passo Forte.

E, aproveitando o tema, publiquei recentemente um guia de alongamento prático, porque mobilidade é base para qualquer trilheiro. Subida exige quadril solto, descida cobra joelho estável e tornozelo preparado. Quem negligencia isso sente no dia seguinte. No e-book, organizei uma sequência simples, objetiva e fácil de aplicar. Se quiser acessar e fortalecer seu preparo, é só clicar no link.

Pegada de felino na trilha.

Durante o percurso, encontramos a pegada de um felino marcada no chão. A marca estava bem visível na terra e chamou nossa atenção. Paramos, observamos e seguimos com mais cuidado.

O registro mostra que a fauna segue presente na Serra da Moeda e reforça a importância de caminhar com respeito e atenção ao ambiente natural.

Orquídeas e o período de dormência.

Na Serra da Moeda também observamos orquídeas nativas adaptadas ao clima de altitude. Antônio explicou que ocorre é a dormência vegetal. Em períodos de seca ou temperaturas mais baixas, a planta reduz o metabolismo, desacelera o crescimento e pode até perder folhas.

Ela entra em um estado de conservação de energia para sobreviver às condições adversas. Quando o clima melhora, com mais umidade e calor, retoma o desenvolvimento e volta a florescer normalmente.

O ponto mais alto e a vista para cidades históricas.

Seguimos até o ponto mais alto da trilha. E ali, o esforço fez sentido.

Do alto, avistamos cidades próximas a Belo Horizonte como Itabirito, Brumadinho e Nova Lima. A paisagem urbana contrastando com a natureza preservada reforça o quanto essa serra é estratégica para a região metropolitana.

Também avistamos o imponente Pico de Itabirito, referência geográfica e símbolo regional. Quem conhece Minas sabe o peso histórico e cultural dessas montanhas.

Filmamos com drone, registramos imagens amplas das cidades e das cristas da serra. Mas sem invadir espaço aéreo restrito ou se aproximar de estruturas críticas.

Estratégia, preparo e disciplina.

Completar a Trilha na Serra da Moeda exige mais do que vontade. Exige preparo físico, planejamento e respeito às condições climáticas.

Alguns pontos fundamentais:

  • Checar previsão do tempo
  • Levar água suficiente
  • Alimentação energética
  • Protetor solar e boné
  • Kit básico de primeiros socorros
  • Comunicação entre os integrantes

Além disso, o grupo manteve coesão do início ao fim. Ninguém ficou para trás. Ritmo coletivo é o que garante segurança.

A volta pelo mesmo caminho.

Após o descanso e registros, iniciamos o retorno pelo mesmo trajeto. E aqui vai uma verdade antiga: a volta testa mais do que a ida.

As descidas exigiram atenção máxima. Joelhos e tornozelos pediram cuidado. O cansaço acumulado apareceu. Ainda assim, mantivemos disciplina.

Cada elevação vencida na ida virou descida controlada na volta. Mantivemos foco até o último quilômetro. Meta traçada é meta cumprida.

Impacto ambiental e responsabilidade do trilheiro.

Durante toda a Trilha na Serra da Moeda, seguimos princípios básicos de mínimo impacto:

  • Não deixar lixo
  • Não fazer fogueira
  • Não abrir atalhos
  • Não retirar elementos naturais

A Serra da Moeda já enfrenta pressão há anos, seja pela mineração, pela expansão urbana ou por usos irregulares. Por isso, assumimos nossa parte. Ao longo do caminho, recolhemos resíduos deixados na trilha, como lata vazia e até pote de sorvete descartado no meio das pedras.

A desbravadora Fernanda Harumi, integrante da equipe Caminhada Passo Forte, juntou tudo em um saquinho e carregou até o fim do percurso para dar o destino correto. Preservar não é discurso, é atitude prática durante a caminhada.

Tecnologia na trilha: aliada, não protagonista.

O uso de drone trouxe registros importantes da experiência. No entanto, tecnologia não substitui presença. Ela complementa.

É essencial verificar regras de voo, respeitar áreas restritas e evitar sobrevoar pessoas ou estruturas sensíveis. Segurança aérea é assunto sério.

Quer ver as imagens aéreas feitas com drone na Serra da Moeda e conferir todos os detalhes da trilha? Clique no link, assista ao vídeo completo e compartilhe com aquele amigo que topa qualquer desafio na montanha.

Tradição, desafio e visão de futuro.

A Trilha na Serra da Moeda representa mais do que quilômetros percorridos. Representa tradição de montanhismo, superação coletiva e valorização do território mineiro.

Montanha ensina disciplina. Ensina paciência. Ensina que o topo não é para quem reclama, é para quem persiste.

Ao mesmo tempo, olhar para a serra hoje é pensar no amanhã. Precisamos de políticas ambientais firmes, empresas responsáveis e trilheiros conscientes. Desenvolvimento e preservação não podem caminhar separados.

Conclusão.

Foram 16,390 km. Foram 11 elevações na ida. Foram registros aéreos, vistas amplas, reflexão sobre mineração, cuidado com antenas e contemplação das sempre-vivas roxas que dão identidade à região.

Chegamos ao Jardim de Pedras. Subimos ao ponto mais alto. Avistamos Itabirito, Brumadinho, Nova Lima e o Pico de Itabirito. Voltamos pelo mesmo caminho. Cumprimos a meta.

A Trilha na Serra da Moeda não foi só percurso. Foi prova de preparo, união e respeito pela montanha.

E como sempre foi nas boas trilhas: quem encara o desafio, volta diferente.

Quer se aprofundar ainda mais no universo das trilhas? Então continue explorando o conteúdo no site Caminhada Passo Forte, onde compartilhamos experiências reais, dicas práticas, equipamentos, preparo físico e estratégias para encarar qualquer desafio na montanha com segurança e consciência.

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